A Associação Ambientalista e Cultural Amigos do Uíma acredita no absoluto respeito pelo ambiente e respectivas componentes.
Acredita também no desenvolvimento como esteio da nossa sociedade moderna, desde que devidamente planeado e sustentado.
É perfeitamente possível apostar-se no desenvolvimento conciliando o meio ambiente. De resto, na actualidade a própria noção de desenvolvimento já incorpora uma vertente ambiental, ausente há uns anos.
Nessa linha de pensamento, os Amigos do Uíma (adiante designados por AU) apoiarão sempre novas formas e projectos de realização para o bem pública, desde que a tal componente ambiental seja respeita, enaltecida mesmo.
A questão do Parque Empresarial de Recuperação de Materiais, vulgarmente conhecido como Parque da Sucatas (não fomos nós os autores do nome) tem levantado uma onda de descontentamento e protesto.
Todas as associações que opinaram estão contrárias à sua construção em Pigeiros (e uma parte em C. S. Jorge). Todos os partidos da oposição têm, no mínimo, grandes reticências, sendo alguns radicalmente contrários à localização, diversas personalidades da nossa praça têm demonstrado a sua indignação por todo este processo bem como com a localização do projecto. Até juntas de freguesia, ou parte delas, estão discordantes da referida localização.
E a população? A mais atenta está maioritariamente contra. A restante não sabe minimamente o que se passa e como tal não tem opinião, havendo uma minoria favorável, uma parte que respeitamos porque acreditam mesmo o que defendem e outra que gravita à volta da Junta de Freguesia de Pigeiros e Câmara Municipal de Santa Maria da Feira e de alguns interesses.
Acredite Vossa Exa.: o que referimos não são opiniões, são factos.
E nesse sentido, na nossa consciência germina uma questão pertinente: porquê tanta teimosia da Junta de Freguesia de Pigeiros e da Câmara municipal de Santa Maria da Feira para com este local?
Muito rapidamente, e antes das nossas razões, atente Vossa Exa. no seguinte:
Por parte da Junta de Freguesia de Pigeiros:
• Nunca realizou um único estudo (por muito simples que fosse) á sua conta sobre o projecto e implicações;
• Nunca tornou o assunto público na freguesia, mais parecendo o quarto segredo de Fátima, sendo apenas ligeiramente discutido numa Assembleia de Freguesia e rapidamente votado;
• Alega uma visita a uma unidade parecida no Seixal, quando, na realidade, o que viu foi apenas meia dúzia de armazéns a serem construídos;
• O assunto não é discutido na actual Assembleia de Freguesia, que tem constituição diferente da anterior, pois a Junta tem medo dessa discussão e consequentes votações;
• É dado adquirido por toda a freguesia que o sim da Junta de Freguesia de Pigeiros à localização do parque terá sido negociada com a Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, com benesses na área do alcatrão, balneários desportivos e outras coisas que tal.
Por parte da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira:
• Desde a primeira hora que exibiu o referido local como único no concelho da Feira e, pasme-se, em todo norte do distrito de Aveiro;
• Há muitos anos que este assunto teve início e nunca se dignou a estudar outras zonas;
• Todo o processo andava no mais puro secretismo, tendo-se tornado ultimamente mais visível às custas de pessoas que conseguem chegar aos dossiers na câmara;
• Desvia o assunto recorrentemente para a AMTSM, sacudindo a água do capote;
• Aproveitou-se da junta mais pobre do concelho (Pigeiros é a freguesia menos populosa do concelho e das que recebe menos dinheiro do orçamento público) exibindo uns tostões em forma de benesses.
Só por isto, teríamos mais do que razões para desconfiar e até lutar contra a localização desta obra.
As razões que os Amigos do Uíma invocam para que este parque não seja edificado nesta zona são inúmeras. Avançamos algumas das que consideramos mais pertinentes:
• A razão zero (como lhe chamamos) não se prende com a localização mas sim com o conteúdo do estudo. Entendemos que este estudo não é sério pois considera apenas uma localização. Como sabemos se existem outras melhores ou piores? Não temos termos de comparação. Quem decidiu que o lugar da Lage é melhor que outro? Porque só este é estudado? Não deveria ser precisamente este estudo a determinar se a Lage é a melhor ou a pior solução? Quem escolheu a Lage em detrimento de outros locais? Lembre-se Vossa Exa. do aeroporto da Ota: como se sabe se é melhor ou pior que o Montijo? Ou que outro local? Pois, é preciso estudar as soluções e comparar e isso faz-se com estudo como este, mas tendo sempre várias soluções;
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1. A zona em questão é uma das encostas do rio Uíma, classificada de zona verde. Este rio tem sido fustigado com poluição de vários tipos e níveis, tendo melhorado nos últimos anos (não por acção do estado mas por encerramento ou mudança de ramo de várias empresas) e colocar uma zona industrial de materiais perigosos traz velhos fantasmas e novas fontes de poluição;
2. Toda esta zona, que já foi bela, poderia (e deveria) servir de apoio às termas de C. S. Jorge. Estas termas não têm zona verde envolvente (há quem lhe chame, na brincadeira, as termas citadinas pois tem estrada em toda à sua volta) e só poucos metros para sul temos a Laje, que seria o pulmão da princesa das termas;
3. Estamos perante uma zona de excelência para não só apoiar as termas, como já referimos, como para explorar em termos turísticos. Há, de resto, uma unidade hoteleira nas imediações. Sabia Vossa Exa. que esteve para avançar neste local um projecto turístico denominado Marva?
4. Falamos de uma região rica em linhas de água, com fontanários muito procurados pela população. Com esta grande unidade industrial instalada, quem pode garantir a qualidade da água? Ninguém, obviamente;
5. País que não respeita o seu passado não constrói o futuro – Frase do Prof. José Hermano Saraiva. Neste local existem pegadas de dinossauro, vestígios rupestres que têm de ser preservados.
6. Também na zona referida irá passar a variante Feira – Arouca, que já está aprovada e em situação de arranque, como deve ser do conhecimento de Vossa Exa. Este itinerário terá de ter um corredor de segurança de 200m mas com este projecto industrial, essa reserva não é garantida;
7. O trânsito nesta parte do concelho é muito difícil e vai-se complicar excessivamente. Temos a antiga EN1, a variante Feira – Arouca com entradas/saídas perto, A1 e A29 a poucos minutos e a futura A32, bem como várias cidades a poucos Kms;
8. Por fim, temos de rebater uma falsa vantagem. Dizem que se vai criar muitos postos de trabalho mas não é mais que uma pura mentira. A ser verdade o que dizem alguns iluminados cá da praça, grande parte dos novos inquilinos (algo que nós duvidamos) do referido parque são “sucateiros” que já têm actividade, logo continuam a empregar os seus funcionários, só que noutro local. Poderão nascer alguns novos postos de trabalho mas falamos de poucas dezenas de lugares, se tanto, coisa perfeitamente ridícula quando comparada com uma empresa média de cortiça ou calçado, por exemplo.
Apontamos várias razões que entendemos fulcrais para parar o processo e começar outro, devidamente bem definido e às claras de todos, envolvendo mesmo a população de forma activa.
A própria AMTSM não se pode fechar a responsabilidades, dizendo que o assunto é com as câmaras. É preciso não esquecer que quem encomendou o estudo foi esta instituição e que apesar de tutelada pelas câmaras, goza de autonomia. Terá de publicamente explicar por que não pediu a elaboração de estudos de impacte ambiental de outras zonas, no concelho da Feira e nos outros que a compõem.
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