As pessoas em Portugal, e talvez no resto do mundo, ao longo dos séculos sempre encararam as árvores com displicência e sobranceria. Usaram-nas a seu bel-prazer, de tal forma, que muitas espécies nativas foram levadas à quase extinção, alias, o que resta da floresta nativa em Portugal é quase zero.
Com o passar do tempo e com avanço do conhecimento, fruto do avanço sócio-económico e tecnológico que caracteriza os dias de hoje, as pessoas foram adquirindo conhecimentos acerca da importância e do papel das árvores no ecossistema e, portanto, na nossa sobrevivência.
Finalmente percebemos que as árvores não serviam apenas para nos fornecer matéria-prima, eram e são, a base e o suporte que sustenta o ecossistema, e portanto, o nosso modo de vida.
Com o advento das alterações climáticas e da constituição da atmosfera, consequência da nossa irresponsabilidade e da forma como tratamos a natureza, as árvores nos espaços públicos adquiriram um papel fundamental de protecção contra as perigosas radiações solares que, principalmente no verão, chegam à Terra cada vez menos filtradas pela atmosfera, fruto da irresponsabilidade já citada em cima. Essa importância é ainda mais acentuada nas escolas, porque as crianças estão menos protegidas que os adultos contra as referidas radiações solares.
Apesar de amplamente conhecida a sua importância, as árvores, nos espaços públicos e nas escolas, são constantemente vandalizadas, com o que os responsáveis por esses actos chamam poda. Como é evidente para qualquer pessoa com um mínimo de neurónios a funcionar no seu Cérbero, quando cortam os ramos e deixam apenas o tronco de uma árvore, como acontece frequentemente, isto não é uma pode, é vandalismo, e deveria ser crime punível com pena de prisão.
A poda das árvores do recreio da escola EB1 da Igreja em Romariz (efectuada há meses), só pode ser classificado como crime de vandalismo, e os mandantes deste acto hediondo deveriam ser encarcerados, os executantes, internados e proibidos de voltar a pegar em moto-serras ou serrotes, e todos classificados com inimigos públicos.
Podem achar esta metáfora exagerada e fora de tempo, mas no actual contexto ambiental, não há margem de manobra, não há tempo para não agir, está-se a aproximar a longa e grande emergência.
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