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» Rios são o ecossistema em pior estado em Portugal
Os rios são o ecossistema em pior estado de 33 analisados a nível nacional, num conjunto em que o montado sobressai pela positiva, segundo um estudo conduzido por investigadores portugueses e divulgado esta quarta-feira.
O relatório dos cientistas portugueses, cujos dados preliminares foram apresentados esta quarta-feira, enquadra-se no âmbito da Avaliação dos Ecossistemas do Milénio, o maior estudo jamais realizado sobre o estado ambiental do planeta e que envolveu mais de 1.300 especialistas de 95 países.
O estudo abrangeu todo o território português e considerou os seguintes ecossistemas: marinho, ilhas, costeiro, águas interiores, floresta, montanha, cultivado e urbano, além do montado, uma área florestal característica da Península Ibérica e constituída sobretudo por sobreiros e azinheiras.
Foram também analisadas duas bacias hidrográficas (Mira e Mondego) e quatro estudos de caso a nível local.


A equipa, liderada pelos investigadores Henrique Pereira e Tiago Domingos, concluiu que «o estado dos ecossistemas é muito variável, com as águas interiores tendo mais problemas do que qualquer outro sistema».


«O sistema semi-árido de montado tem um desempenho bastante bom», contrariando as tendências que se verificam a nível internacional nas zonas secas, considerou.
O documento refere que «com excepção de alguns problemas localizados», incluindo a grande variação intra e inter-anual da precipitação, não existem problemas críticos de fornecimento e procura de água em Portugal, mas «existem problemas sérios de qualidade da água.
Vários aquíferos subterrâneos localizados em zonas de agricultura intensiva apresentam problemas de poluição de nitratos e intrusões salinas (Algarve, Tejo-Sado, Aveiro, Mondego, Beja, Caldas da Rainha, Escusa e Campo Maior).
Além disso, «vários rios estão fortemente poluídos devido a actividades industriais, agrícolas e domésticas».
Por outro lado, o aumento da área florestal total que se verificou nas últimas décadas não teve um impacto significativo na capacidade das florestas para fornecerem água, porque foi contrabalançado pela maior frequência dos fogos e pelo aumento da plantação de eucaliptos.
Os especialistas concluíram que as grandes alterações dos ecossistemas em Portugal nos últimos 50 anos foram promovidas essencialmente pelo regime de fogo, as mudanças no uso do solo, incluindo abandono das terras agrícolas, florestação e urbanização, a Política Agrícola Comum, os mercados globais e o crescimento económico.
Diário Digital / Lusa 30-03-2005