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Energia nuclear e a hipoteca do futuro
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O nuclear é uma hipoteca para os nossos filhos e netos: entre a construção das centrais, o seu desmantelamento e a desactivação dos resíduos, passarão centenas ou milhares de anos.

Não estando assegurada a estabilidade económica de nenhuma nação do mundo, também nenhuma nação poderá garantir no futuro, que terá condições para desmantelar as centrais nucleares.

O nuclear é o depois de nós o dilúvio, aproveitemos agora e deixemos os nossos descendentes pagar a factura. Por exemplo: o plutónio-239 produzido pelos reactores nucleares, mantêm-se activo durante cem mil anos. Cada reactor nuclear produz cerca de 20 toneladas de resíduos por ano, incluindo 200 quilos de putónio-239. O actual número de reactores nucleares produz anualmente 10000 toneladas de resíduos, dos quais 100 são plutónio-239. O que fazer com esta quantidade de resíduos?

O preço da energia nuclear, ao contrário do que nos dizem, é das mais caras entre todas as formas de produzir energia. Amory Lowins, fundador do Rochy Mountain Institute (www.rmi.org), disse: “ a energia nuclear revelou-se muito mais cara do que todos os outros modos de produção de electricidade. Os governos procederiam melhor se respeitassem as leis do mercado em vez de favorecerem esta tecnologia à custa do contribuinte.”

Com a actual tecnologia, o combustível que alimenta os reactores nucleares - uranio-235 – esgotar-se-á até ao final do século XXI. Se aumentarem o número de reactores nucleares, o seu esgotamento será mais rápido. Portanto, solução perigosa e de curto prazo.

A opção nuclear, como alternativa energética, é a substituição de um problema por outro, é algo de extremamente irresponsável e injusto para as gerações futuras. Por mais que as condições de segurança nas centrais nucleares aumentem, a insegurança e o medo entre as populações permanecerá para sempre, pois não nos podemos esquecer que as máquinas são construídas pelo Homem, e este é a fonte de todas as falhas.

Conclui-se então que a energia nuclear não é uma tecnologia sustentável nem amiga do ambiente, como o lóbi nuclear nos quer fazer crer.
autor
José Vaz e Silva
e-mail
data
01-11-2007

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