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Por patego entende-se todo aquele que age com ingenuidade; que se deixa levar por histórias mais ou menos bem contadas mas que não passam de reles mentiras; ou ainda aquele que age em função do que vê e ouve nos media, a grande referencia dos nossos dias. Enfim, pategos somos todos nós, nas nossas vivências diárias, às mãos dos novos poderes feudais e oligarcas que controlam todos os sectores da sociedade, inclusivamente, a informação/manipulação que é difundida pelos media mainstream de hoje em dia.
É normal que no actual contexto da sociedade da informação nos recusemos a acreditar que somos constantemente enganados e manipulados, quando, supostamente, não há censura e temos acesso aos mais vastos meios de informação de que alguma vez a Humanidade almejou sonhar. No entanto, a realidade é bem diferente, se é verdade que há mais informação do que alguma vez no passado, também não é menos verdade que, pelo seu excesso, dificilmente o comum dos mortais a consegue absorver com sentido crítico e, assim, conseguir distinguir o que é verdadeira informação e o que é manipulação ou propaganda. Como também não é verdade que hoje que não exista censura nos media, pelo contrário, ela existe e é a pior das censuras; hoje já não há carimbos e gabinetes censórios, hoje, gere-se a percepção do público, através do alarido mediático, ou de forma a que o cidadão não entenda aquilo que lhe é transmitido. Para isso, há os spin doctors (1), ou manipuladores de opinião, que têm por função impingir-nos a verdade dos feudos e das oligarquias que dominam a nossa sociedade. Ou seja, têm por função “comer” os “pategos” que somos todos nós.
Exemplos desta manipulação vergonhosa e descarada que nos tornam nos maiores pategos, convencidos que “a nós ninguém nos engana”, não faltam e acontecem a todo o momento, sendo que alguns deles são tão descarados e vergonhosos, que dá para pensar que a manipulação já alcançou patamares tão elevados, que nem os mais pessimistas ousaram imaginar. Enfim, veremos. Seja como for, vou propor-lhes, de seguida, alguns exercícios de reflexão, acerca da forma como os poderes “comem” os “pategos”. Dando apenas alguns exemplos práticos que devem servir de mote para uma reflexão mais profunda sobre esta temática.
1) Com a presente crise económica, financeira, ambiental, ética e moral, da responsabilidade das oligarquias feudais que nos controlam e que deixamos que nos controlem, portanto, também da nossa responsabilidade, surgiu uma nova moda do ambientalmente correcto que, tal como o politicamente correcto, é algo de totalmente inconsequente e que só serve para enganar e “comer” os “pategos”. Assim, aproveitando de forma desavergonhada esta moda do ambientalmente correcto, a EDP gastou milhões de Euros numa campanha de propaganda em favor da construção de barragens, com o intuito de fazer o branqueamento das consequências ambientais e patrimoniais que a construção criminosa da barragem do Tua representa para o país. Com esta acção de lavagem ao cérebro, a EDP até pode convencer os “pategos” das virtudes da barragem do Tua e de todas as outras barragens, mas por mais manipulação que faça, jamais conseguirá alterar a realidade, de que as barragens, de um modo geral, têm profundos impactos negativos ambientais e paisagísticos, mas que a construção da barragem do Tua, não só terá esses impactos negativos, como constituirá um crime ambiental e patrimonial sem precedentes, que as gerações futuras julgarão.
2) As celuloses que operam neste país, não querendo ficar para traz nesta orgia do ambientalmente correcto, tiveram o descaramento de efectuar uma campanha de propaganda que tenta convencer os “pategos” de que as práticas e acções da sua indústria constituem um grande benefício para o ambiente, nomeadamente, para a floresta portuguesa, pois são responsáveis pelo plantio de milhões de árvores. Se é verdade que esta indústria planta milhões de árvores, também não é menos verdade, que as árvores por eles plantadas, não são nem amigas da nossa floresta, nem amigas do ambiente, pois esses milhões de árvores que a indústria de celulose planta, são de uma espécie invasora, que se espalhou como uma praga pelo país e que actualmente ocupa cerca de um terço da área florestal total, coisa única na Europa, que deveria ser motivo de vergonha dos promotores florestais, da indústria e dos poderes, que os deveria levar a apostar no ordenamento florestal, em vez de propaganda e mentira com intuito de manipular os “pacóvios”.
3) Recentemente os media mainstream anunciaram com grande algazarra, foguetes e fanfarra, a abertura do primeiro parque de campismo “ecológico” português, situado no concelho de Odemira, na costa Alentejana. Este empreendimento único e altamente “ecológico”, que ocupa 81 hectares e tem lotação para 3000 pessoas endinheiradas, trouxe o delírio aos media mainstream, que se referem a ele como uma espécie de “masturbação” salvadora para a costa Alentejana e para os Alentejanos, como se a partir de agora essa zona do Alentejo tivesse mais respeitabilidade ambiental e turística. Acontece que este milagre que saiu em rifa aos Alentejanos e a Portugal, com a construção deste mega-empreendimento turístico, na verdade, não passa disso mesmo, um mega-empreendimento turístico implantado numa área protegida que, caso Portugal fosse um país desenvolvido, onde o seu povo tivesse um grande sentido de cidadania e tivesse fortes preocupações na defesa do seu património natural, este empreendimento não seria construído no local onde foi, nem seria dentro do Parque Natural, pois sendo uma área protegida, deveria ser preservado a todo custo de grandes aglomerados de pessoas e de construção. Mas não, os interesses económicos falam sempre mais alto e contam com a colaboração dos media, como as prostitutas contam com os proxenetas, para manipularem as mentes dos “pategos”, convencendo-os de que algo que é intrinsecamente mau, poderá ser óptimo se tiver um determinado rótulo, neste caso, ecológico. Pobre país este…
4) A GALP, que é, como todos sabem, um exemplo na protecção do ambiente, não podia ficar fora desta moda do ambientalmente correcto, assim, tem a decorrer presentemente uma campanha designada de “Carbono Zero” que se destina a convencer os “pategos” a abastecer os seus veículos nos seus posto. E o que ganha o ambiente com isso? É óbvio, até para as mais estúpidas galinhas, que a Galp e todas as suas congéneres se estão marimbando para o ambiente, a única coisa que interessa a esta gente é o lucro que as suas actividades proporcionam, não o meio ambiente. Estas campanhas não só são uma farsa como são também uma vergonha, porque se destinam unicamente a manipular consciências.
5) Todos nós “pategos” somos diariamente submetidos ao mais infame dos comportamentos dos poderosos para aumentarem os seus lucros à custa da nossa ignorância. Para o conseguirem não olham a meios, vale tudo. Nos últimos tempos os media mainstream, sempre preocupados com o nosso bolso e o nosso bem-estar, empreenderam uma grande campanha publicitária gratuita em favor dos postos de abastecimento dos hiper-mercados, ao que dizem, devido ao preço mais reduzido dos combustíveis que aí é praticado (os hiper-mercados agradecem a publicidade). A Galp ao sentir a sua cota de mercado diminuir em favor desses distribuidores, lançou uma contra-campanha publicitária para alertar os “pategos” de que os seus combustíveis são de alta qualidade e que até têm aditivos. O que não acontece com os combustíveis dos hiper-mercados que, segundo essa campanha, são de inferior qualidade e, por isso, o seu preço é mais baixo. Imediatamente, os hiper-mercados contra-atacaram com nova campanha para defender o seu produto, dizendo que só o preço é baixo, a qualidade é a mesma. Perante esta pouca-vergonha, esperava-se que alguém responsável pusesse termo a isto e esclarecesse os consumidores, de forma simples e clara, se há ou não diferença entres os combustíveis da Galp e dos hiper-mercados, para que o consumidor pudesse escolher livremente e em consciência e não apenas em função do preço. Infelizmente, o ministro da economia, essa nulidade, quando questionado sobre esta questão, limitou-se “a chutar para canto” como se o problema nada tivesse a ver com ele. Ou seja, como sempre, colocou-se ao lado dos grandes interesses económicos, que estão no cerne desta problemática e espezinhou os direitos dos “pategos” como, aliás, é seu hábito, do seu governo e das suas instituições.
Enfim, as técnicas de manipulação da informação empregues no dia-a-dia, são cada vez mais sofisticadas e estendem-se a toda a cadeia informativa controlada pelo sistema. Assim, os cidadãos são usados e abusados, manipulados, enganados e estropiados, com a conivência dos seus representantes no estado e das suas instituições, considerando-os obstáculos à sua progressão, por isso os transformam em simples “pategos” fácies de manipular. Apesar de tudo, ainda acho que somos “pategos “ porque queremos, pois temos ao nosso alcance os instrumentos que nos permitem construir uma auto-determinação intelectual como nunca antes na história humana, saibamos tirar o devido proveito dessa capacidade.
Finalmente, para os que estiverem interessados em aprofundar esta temática, deixo como sugestão de leitura o livro “As Novas Censuras – Nos Bastidores da Manipulação da Informação” de Paul Moreira.
Deixo-lhes um excerto da sua própria definição do são as estas novas censuras:
“A censura, como a conhecíamos no passado, desapareceu. A censura brutal, se ainda existe, acaba sempre por ser contraproducente, porque hoje tudo acaba por ser divulgado, mas não se imprime na memória, e é exactamente aí que vai incidir o controlo da informação, no controlo da memória. Todo o trabalho dos gabinetes de relações públicas, dos conselheiros de comunicação, é um trabalho de gestão do que vai ficar retido na memória, e de gestão da emoção pública, porque sabemos que o mundo muda cada vez que a emoção pública ultrapassa um certo nível.”
(1) Estes spin doctores são especialistas em comunicação e relações públicas e estão ao serviço dos poderes com o objectivo de manipular a informação e enganar os pategos com aquilo a que chamam de marketing.
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