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Recentemente alguns jornalistas do sul da Europa assistiram a uma espécie de conferência de imprensa sobre as exigências ambientais que precedem cada novo investimento na Suécia. No edifício da Agência para a Protecção do Ambiente (APA), em Estocolmo, Hans Wradhe, conselheiro sénior da APA, explica sobre a política de áreas protegidas: “uma das principais responsabilidades da APA é escolher as terras a comprar para as transformar em Parques Naturais…” até que um dos jornalista presentes pergunta: “como? O estado compra as terras para as proteger?!” Hans, perplexo, responde que sim, como se a pergunta tivesse sido feita apenas porque o jornalista tivesse dificuldades em perceber o seu Inglês. Outro jornalista levanta outra dúvida: “um projecto que não cumpra todos os requisitos pode ser autorizado, com o pretexto de um, digamos, potencial interesse público?” O conselheiro da APA nem entende a pergunta e pede para que o jornalista se explicar melhor. Ao que este indaga: “nunca são abertas excepções com a justificação dos postos de trabalho e da riqueza que determinado projecto gera?” Perante tão ridícula pergunta, no seu entendimento, responde: “claro que não!” Então outro jornalista pergunta se as multas são pesadas: “são pesadas, sim, mas não é o valor que leva a indústria a esforçar-se por cumprir regras. Aqui as empresas consideram embaraçoso serem multadas.”
Esta pequena introdução mostra claramente a diferença entre uma verdadeira política de protecção do ambiente, que é praticada na Suécia e exigida pela sua população, e uma política fanfarrona, criminosa e ao serviço de interesses mafiosos, como a que se pratica no nosso país, com a conivência de uma comunicação social serviçal e do marasmo da população em geral.
Em Portugal, José Sócrates, lidera o pior (des) governo, no que respeita à política e gestão ambiental, que o país já conheceu nos últimos 35 anos. Pois está completamente refém desta máfia que tem os seus tentáculos venenosos espetados nos centros do poder nacional e local. O seu ministro do ambiente, Nunes Correia, que ninguém conhece, paradoxalmente vai ficar na história por ter sido o carrasco do pouco de bom que ainda existia para proteger neste país, por não ter cumprido o seu dever como ministro do ambiente e por ter entregado ao desbarato, a esses mafiosos e parasitas do betão, um legado que pertence às futuras gerações.
Isto não é retórica de alguém azedo e descontente com a vida e que se limita a insultar quem supostamente trabalha para o bem de todos, não, é a realidade dos factos que falam por si:
- Este governo criou os Projectos de Interesse Público (PIN), que não são mais do que a porta aberta aos patos bravos que semeiam este país de betão, para se apoderarem de tudo que é espaço natural sob protecção, sendo também uma forma trapaceira de se verem livres dos empecilhos que constitui o restante da população, para assim semearem os seus paraísos betuminosos com a etiqueta de ecológico e que os media mainstream, ao seu serviço, se encarregam de propagandear.
- Este governo desregulamentou as áreas REN e RAN, ou seja, na prática acabou com um dos poucos instrumentos que o país dispunha para defender os espaços agrícolas e florestais.
- Este governo deu ordem às empresas para poluírem, pois reduziu as coimas aos poluidores e hipotecou o princípio do poluidor pagador.
- Este governo nada fez para melhorar o ar das nossas cidades que têm os indicies mais elevados de poluição da Europa, pelo contrário, ao apostar na política das auto-estradas aniquilou completamente qualquer possibilidade dos sistemas públicos de transporte se tornarem eficientes e, dessa foram, continuar e agravar o caos da circulação automóvel nas cidades, agravando dessa forma a poluição.
- Este governo nada fez para minimizar a vergonhosa situação das nossas florestas, onde o eucalipto (espécie invasora) já ocupa cerca de um terço da área florestal do país, exemplo único no mundo e que nos deveria fazer corar de vergonha.
- Este governo nada fez no sentido de melhorar a eficiência energética, pelo contrário, transmite a falsa ideia à população de que se pode continuar a aumentar infinitamente os gastos energéticos, para isso, basta apostar em energias renováveis, enquanto a população completamente alienada pela propaganda sufocante do consumismo que os grandes interesses da distribuição alimentam, continua com o pé no acelerador até ao abismo.
As Cãmaras Municipais não saem melhor nesta fotografia da vergonha, antes pelo contrário, elas são as grandes prostitutas de rua que canalizam o veneno dos tentáculos dos grandes interesses das máfias do betão, que leva a que cada município se digladie para conquistar o maior dos elefantes brancos em disputa, como auto-estradas, centros comerciais, grandes espaços de distribuição, etc., tal como as prostitutas se digladiam para conseguirem o cliente com o bolso mais recheado. A pouca-vergonha e a insensatez alcançou patamares insuperáveis, nos seus boletins de propaganda, os municípios exibem as catedrais de consumo (centros comerciais, hipermercados e afins) como a última conquista da modernidade que trará a felicidade prometida aos seus munícipes. Infelizmente, não mostram as escolas a cair aos bocados; ou os indicies culturais vergonhosos dos seus munícipes; como não mostram as pequenas empresas em falência porque o seu espaço de acção foi completamente ocupado pelos grandes e poderosos; assim como não mostram o descalabro urbanístico e arquitectónico que a política do betão das últimas décadas provocou; como não mostram a crescente e vergonhosa ocupação e destruição das áreas agrícolas, que deveriam ser defendidas como algo de fundamental em termos estratégicos para o país.
Em suma, a protecção do meio ambiente neste país é encarada como uma espécie de passatempo com horas marcadas, que deve ser completamente inconsequente, onde a retórica enche jornais e os problemas agravam-se. Assim, Portugal jamais conseguirá cumprir a directiva do Parlamento Europeu que proclamou o objectivo: “Entregar à próxima geração uma sociedade em que a maior parte dos problemas ambientais tenham sido resolvidos.” Pelo contrário, em Portugal a próxima geração vai receber um país PORCO, FEIO E MAU!
Com o aproximar das eleições legislativas e na eminência de o partido do governo não conseguir renovar a sua maioria absoluta, os parasitas mafiosos do costume, preocupados em assegurarem os seus interesses, já clamam por um novo bloco central, para, dizem eles, assegurar estabilidade governativa e para o país enfrentar os desafios que se lhe colocam no futuro próximo. Mas isto é uma grande falácia, o que essas máfias pretendem é garantir a sua cota dos recursos públicos e os seus privilégios. E é exactamente isso que vai acontecer se nós continuarmos cegos.
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